Lado Inverso

Endecha, não deixa, não deixa

Julho 5, 2008 · Sem Comentários

Todos já tivemos um tio chato e inadequado, que pensa que os sobrinhos são alienígenas burros e toscos. O meu se chamava Jorge. O irmão da minha mãe me conheceu antes mesmo de nascer e sempre achou que sabia mais do que eu.

 

As minhas grandes aventuras de infância se resumiram a fugir do tio Jorge. Em todos os almoços de família, ele chegava gritando meu nome com aquela voz rouca. Eu partia em busca de um esconderijo próximo. Quando o silêncio pairava perto de mim, saía lentamente do meu abrigo e me apresentava na sala, sempre protegida pelo Bob, meu urso de pelúcia. Mas o medo ainda estava presente e eu ansiava que o tio me visse, que apertasse com força as minhas bochechas.

 

Na minha juventude, os gritos do tio Jorge cessaram. Talvez porque ele tenha se dado conta de que eu não mais cabia nos esconderijos apertados da minha infância. Mas, em cada encontro, ele me questionava sobre os significados das palavras da língua portuguesa, exigindo que eu lesse o dicionário, aquele livro cheio de palavras inúteis. O que é um próton? Como se chama o ovo do piolho? Como eu odiava aquelas perguntas prontas, o jeito estúpido que o tio tinha de se achar superior. E por isso, sempre que eu tinha alguma dúvida, consultava o dicionário, lia na enciclopédia, buscava argumentos, discursava diante do espelho, tudo para que quando eu encontrasse o tio Jorge, eu pudesse mostrar como eu estava grande, como eu sabia das coisas.

 

Numa tarde de abril, enquanto eu procurava o significado de endecha, minha mãe me avisou que o tio Jorge tinha morrido. Achei que fosse uma brincadeira dos dois e que logo ele entraria no meu quarto com aquele sorriso insuportável, fazendo as piadas bestas de sempre. Mas, precisei aprender sozinha os diversos significados da palavra libra e a diferença entre limão-galego e limão-cravo.

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“…”

Junho 26, 2008 · Sem Comentários

Enquanto forem só reticências, e não um ponto final, tudo bem.

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Traduzir-se

Junho 22, 2008 · Sem Comentários

Traduzir-se
Ferreira Gullar


Uma parte de mim
é todo mundo
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte é estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
é linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida e morte -
será arte?

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Das rápidas

Junho 8, 2008 · 1 Comentário

Não entendo como alguém consegue escrever um texto a lápis. Estranho o hábito de carimbar verdades no papel aguardando para apagá-las. Palavras devem ser cravadas, ditas para a eternidade.

Não gosto de pessoas em cima do muro, de quem fala “tanto faz”. É preciso ter opinião, dizer com força, afirmar até o fim – mesmo que se esteja errado.

Abdiquei do lápis aos doze anos. Junto à tinta vieram as certezas e a responsabilidade de falar para sempre. Às vezes encontro algum lápis perdido nas gavetas e até brinco de usá-lo. Porque temer o inimigo é pior.

Não simpatizo com o hábito de depender do apontador para expressar as idéias. Tenho um amigo que se esmera tanto apontando o lápis que esquece o que vai escrever. Sinceramente, prefiro palavras tortas, rasuradas, mas espontâneas.

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RobertoRobertoRoberto

Junho 1, 2008 · Sem Comentários

Como eu odeio o Saramago! Nunca consegui ler este escritor! Começa por este nome ridículo. Vogais intercaladas por consoantes. Pares e ímpares. Como se estivéssemos brincando de simetria.

 

Admito, por um tempo meu sonho foi ler Ensaio sobre a cegueira. Que título grandioso! Eu anunciava nas rodas de conversa que este seria meu próximo livro e o Roberto sempre dizia para eu ir com calma, para eu esperar por mais um tempo. Madura. Era isso que ele dizia. Que eu devia esperar para estar madura.

 

Foi tudo culpa dele, do Roberto. Era férias e a nossa relação não ia bem. Nos encontramos para uma conversa importante e entre whisky e amendoins decidimos separar os travesseiros.

 

Resgatei minhas tralhas, meus restos que repousavam no lar dele. Em casa desfiz a sacola e libertei meus objetos. Lancei-os sobre o chão, malditos! Só aí que percebi o intruso literato. Ensaio sobre a cegueira, o livro que eu tanto quis ler tinha caído por entre as roupas!

 

Roberto sempre adiava a minha leitura e agora me entregava o livro. Eu podia imaginar aquele seu nariz, a testa quadrada, a expressão naval dos seus olhos enquanto ele dizia que esta era a minha hora. Que agora eu estava madura o suficiente para ler o meu gênio. Ele preferiu ser covarde, falar tudo isso sem palavras. Confesso que folheei página por página, procurei por entre as palavras do Mago uma carta escondida que pudesse me sarar.

 

Primeiro o que senti foi raiva. Raiva desse escritor, dessa cegueira, dessas páginas amareladas que tanto fediam. Fediam a perfume do Roberto. Tinham o cheiro daquela pele, daquele corpo, que eu tanto estava acostumada a sentir. Depois meu sentimento foi mais profundo. Ódio. Porque enquanto eu odiava esse livro, eu deixava de odiar o Roberto.

 

Saramago nunca me desceu. Não passei da terceira página e já nem quero passar. Não consegui ler Ensaio sobre a cegueira porque eu enxergo tudo. Tudo mesmo. Tudo de novo. Devagar. Aquele rosto de relance. E enquanto eu estiver enxergando o Roberto, vou preferir mesmo ser cega.

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Monte Royal

Maio 20, 2008 · Sem Comentários

Inspirada nas confissões da Júlia Otero (leia-se Otêro) a respeito da sua experiência na África do Sul, resolvi contar minha vivência, que é ironicamente parecida.

Fiz intercâmbio aos 16 anos, por pouco não foi aos 15. Levei na mala roupas, livros, sonhos juvenis e a vontade de mudar o mundo. Na minha cabeça jovem revolucionária, que abandonava o conforto do quarto aquecido e do travesseiro macio, eu rumava para a maior aventura da minha vida. E o Canadá parecia ser o país ideal para uma menina em plena adolescência se independizar dos pais. Lá os índices de violência são baixos, as pessoas são receptivas e o sistema de ensino é bom. A minha aventura seria no paraíso!

Esqueceram de me avisar que eu encontraria os maltrapilhos canadenses nos metrôs. Deixei o Brasil da miséria e dos problemas sociais para me deparar com criaturas sem teto! Depois do choque e do susto, senti pena. Seria cômico - se não fosse trágico - encontrar mendigos fluentes no inglês e no francês. Se fossem para o Brasil conseguiriam um bom emprego.

Fiz com eles, os pedintes, o que jamais ousei fazer no Brasil: os alimentei. O almoço que a família canadense me dava não era bom e aprendi com uma outra intercambista a colocá-lo sobre os telefones públicos, na própria estação de metrô. Nunca vi nenhum homeless pegando a embalagem de comida, sempre que eu virava para trás, depois de alguns passos, o pacote já tinha sumido.

Bonito, Gabriela, muito bonito. Mas por que durante este inverno eu alimentei os indigentes de Montreal se em toda a minha vida eu não fiz isso no Brasil? Procuro nas minhas esquinas algo que explique. Precisei ir embora para enxergar o que ficou do Brasil em mim. E no fundo eu sei que o que me tocou foi a surpresa. O inesperado. O velho em forma de novo. Eu me solidarizei aos sem teto canadenses para não ouvir os gritos dos famintos brasileiros. 

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LulaLá

Maio 20, 2008 · Sem Comentários

29 de outubro de 2006. Segundo turno das eleições. Vamos todos fingir que vivemos numa democracia e que escolher os nossos candidatos é bom. Mal sabemos que na verdadeira democracia não há obrigatoriedade de voto. Vamos todos juntos escolher os melhores, aqueles que não nos farão de bobos e que jamais colocarão seus próprios interesses na frente dos do povo. E depois acordaremos do sonho que terá durado menos de vinte e quatro horas. Voltaremos à realidade e de novo ouviremos escândalos e acusações que acabarão impunes novamente. E depois diremos que os candidatos não prestam, mas já vamos ter esquecido que quando tivemos oportunidade de colocá-los todos fora do senado, não o fizemos. Já nem lembraremos que eles estão lá devido ao nosso voto e que nos mantermos passivos a todos escândalos é também uma forma de nos desrespeitarmos. Estranho ter que escolher os candidatos, decidir sobre os próximos quatro anos do país verde e amarelo, quando não sei nem o que estarei fazendo no próximo mês. É complicado reclamar das falsas promessas e das frias ideologias, quando tantas vezes eu também me corrompo e opto pelo caminho menos recomendável. Estranho querer colocar ordem num país inteiro quando dentro de mim está tudo tão bagunçado. Temos mania de pensar que o que não nos diz respeito sempre é mais fácil. Pois vemos, quando temos a chance de mudar a administração, que nada!, preferimos manter tudo como está. Depois não adianta reclamar sobre a segurança, quando não nos sentimos seguros nem para trocar de candidato. Quando estivermos aptos a arcar com as conseqüências e admitir que a nossa escolha reflete no futuro de todo país, nos sentiremos mais confiantes não só diante das urnas, mas também diante do espelho.

 

 

Hmmm, não sei se ainda tenho essa vitalidade de um ano e meio atrás.

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Cirque du Soleil

Maio 18, 2008 · Sem Comentários

Cirque du Soleil, lindíssimo.

 

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O corpo do copo

Maio 11, 2008 · 2 Comentários

Minha infância foi lotada de perguntas sobre o ciclo das coisas. Por que o mundo gira numa só direção? Quem escolheu o sentido dos ponteiros do relógio? Por que vejo sempre o mesmo lado da lua? E por que o norte fica em cima e o sul, em baixo?

 

Foi na infância a primeira vez. Numa madrugada qualquer, levantei da cama e rumei, na ponta dos pés, até a cozinha. Abri a geladeira e alcancei a jarra. Não era sede o meu problema. Eu precisava de novas aventuras, queria sentir o famoso frio na barriga.

 

Depois disso, bebi água pelo bico da jarra por incontáveis vezes. E não foi só na meninice. Cresci, aumentei de peso, de tamanho, ganhei corpo e nunca mais me livrei deste vício desgraçado. Mas o que era igual, sempre igual, era a emoção de fazer isso escondida.

 

Quer saber, acho mesmo que todos deveriam beber um dia pelo lado contrário. Isto é se arriscar um pouco a ser diferente. Pois cada vez que encosto meus lábios no bico da jarra, sinto que por um ou dois segundos eu consigo inverter o ciclo do mundo.

 

 

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O marxismo da melancolia

Abril 28, 2008 · Sem Comentários

 

 

Terminei de ler “O marxismo da melancolia”, obra de Leandro Konder sobre aquele que é, para mim, um dos homens mais misteriosos do século passado: Walter Benjamin.

 

Uma parte em especial do livro conta sobre a decisão final de Benjamin. O cenário é a fronteira entre a França e a Espanha e o ano é 1940. Fugindo da França ocupada, Walter apresenta-se a uma senhora para ser guiado na travessia para a Espanha. Enquanto caminham para fazer o reconhecimento das rotas mais apropriadas, a senhora o questiona sobre a importância da pasta que ele cuidadosamente carrega. Sucinto, responde: “Não posso correr o risco de perder isto. Precisa ser salvo. É mais importante do que eu”. O fim desta história é bem conhecido. Depois da longa e lenta caminhada, Benjamin foi detido em Port Bou e informado de que no dia seguinte regressaria para França. No desespero de ser enviado para um campo de concentração, ingeriu o tablete de morfina que havia recebido, no dia anterior, de Arthur Koestler. Na resposta à solicitação de Horkeimer sobre a morte do amigo, consta que nenhuma bagagem foi encontrada e que não havia circunstâncias para o suicídio. Tratava-se de “muerte natural”.

 

Nascido em 1882, em Berlim, Walter Benjamin pertencia a uma bem sucedida família judia de leiloeiros de arte. Estudou num colégio interno progressista, militou num movimento juvenil antiautoritário e deu início ao estudo de filologia, na Universidade de Freiburg. Fingindo um problema de saúde e depois partindo para a Suíça, livrou-se de pertencer ao serviço militar. Trabalhou como crítico literário, tradutor, ensaísta, filósofo e sociólogo. Participou da Escola de Frankfurt e criou teorias sobre o aparecimento e o desaparecimento da aura. Mas mesmo com incontáveis explicações de quem foi Walter Benjamin, como entender o pensamento de alguém que pôs seus manuscritos num âmbito superior à sua própria existência? Prefiro ficar com a resposta da teórica alemã Hanna Arendt: “ele foi um dos inclassificáveis (…) cuja obra não se encaixa na ordem existente, nem introduz um outro gênero”.

 

A pasta que possivelmente continha a versão inacabada do Trabalho das Passagens, jamais foi encontrada.

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N o E s p a ç o . . .

Abril 24, 2008 · Sem Comentários

Lançados no espaço, os pensamentos se organizam em filas.

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Doutora das Palavras

Abril 10, 2008 · 4 Comentários

Mal conheci o Zé e já fui apresentada para aquele bando de amigos literatos dele, para os tantos escritores que ele carregava debaixo do braço. Eram todos como um gigante e eu, uma pequena mulher. E confesso que isso me seduziu, foi legal ter alguém grande diante de mim.

***

As frases do Zé eram recheadas de citações das obras de Dostoievski, Goethe, Shakespeare e às vezes até de Freud e Jung e ele não se constrangia em mostrar a sua riqueza cultural e em dizer que o que mais o interessava nas mulheres era a inteligência. Humilhante dizer isso para quem no máximo podia dissertar sobre as leituras obrigatórias do vestibular.

***

Menina orgulhosa que sou, não aceitei o desprezo do Zé e mergulhei no universo das palavras. Foram anos lendo dois, três, as vezes quatro livros por semana. Sem perceber, aprofundei-me na vida dos escritores, dos tradutores, e até dos editores. E digo, até que gostei dessa brincadeira de correr atrás do conhecimento, de entrar nas livrarias pensando no Zé e sair carregada de livros, doutora das palavras.

***

Precisei de tempo pra ampliar minha cultura. Tempo e paciência. Foram longas as madrugadas sem dormir, nas quais transformei os livros em cúmplices. E quando eu não estava lendo, ia ao cinema. Ou ao museu. Até que hoje, o Zé, querendo uma indicação literária, ligou para mim. Para ele, cresci. Mas agora sou tão grande que já nem preciso da companhia do Zé. Os livros me bastam.

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O tato age

Abril 3, 2008 · 1 Comentário

marca-da-guerra.jpg

Um livro em especial chamou minha atenção nesta última semana. “Tatuagem, piercing e outras mensagens do corpo”, da jornalista Leusa Araujo, é uma obra diferente. Não porque aborda o comportamento humano, mas porque trata uma prática com mais de cinco mil anos de forma inovadora. Depois de terminar a leitura, algo me intrigou. Incomodou até. Senti motivação para pesquisar sobre a evolução da tatuagem, sobre como um mesmo ato teve seu significado tão mudado num curto espaço de tempo.

Por que a cultura ocidental ainda tem resistência à tatuagem? Mesmo que isto tenha diminuído com as novas gerações, é comum encontrarmos pouca aceitação dos mais antigos. Logo que comecei esta pesquisa, deparei-me com uma questão complicada: a guerra. Que se usasse tatuagem no Egito por motivos religiosos, eu entendo. E é compreensível que os índios de determinadas tribos marcassem uns aos outros para diferenciar os bons guerreiros. Mas quando li sobre as práticas da Segunda Guerra Mundial, senti que eu tinha que mergulhar fundo no assunto.

Dito e feito. A culpa é da guerra. Embora no Brasil normalmente não encontremos resistência tão grande, na grande parte dos países ocidentais é comum que a tatuagem seja tratada como castigo, já que na Alemanha nazista esta prática foi aplicada. Os judeus eram marcados com números, os mesmos carimbados nos bois e nos cavalos. E isto é uma ironia sem tamanho. É engraçado que hoje uma marca que representa a liberdade é justamente a mesma que há 60 anos era o símbolo da tentativa de dominação de uma cultura sobre a outra.

Um corpo tatuado é um corpo exposto. É um corpo que se arrisca, como o de um marinheiro ou de um soldado. Um corpo tatuado é um corpo marcado para sempre, apesar das técnicas de reparação que estão sendo desenvolvidas. E é inegável que um corpo tatuado seja um transmissor de mensagens ou um divulgador de idéias, com a mesma função das roupas e das maquiagens que usamos.

A verdade é que a tatuagem é uma incontestável tentativa de libertação. Todos almejam ser diferentes para a sociedade, mas iguais diante dos seus pares. Se os adeptos desta cultura tiverem consciência de que o mais importante é evoluir internamente e não só se transformar do lado de fora, a tatuagem finalmente terá a oportunidade de se consolidar como uma ação positiva.

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Marta “relaxou”.

Março 31, 2008 · Sem Comentários

marta2.jpg “Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns. Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros ‘relaxaram e gozaram’.”

Fonte: Veja Online

Chega a ser engraçado. Se não temos bons políticos, devemos ficar contentes pelo menos com os nossos comandantes.

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O título

Março 29, 2008 · 3 Comentários

dsc00032.jpgAs pessoas precisam se comunicar. Esta é uma necessidade básica do ser humano. Não há um instante sequer que os homens deixam de interagir. Nem sempre é preciso palavras para que uns entendam aos outros. Expressões, olhares, roupas e sinais também passam idéias. E é por isso que eu digo que tudo tem um motivo. Ninguém usa um all star amarelo sem uma intenção, mesmo que essa seja inconsciente.

Não existe nada mais significativo do que o nome de um blog.  O nome é o cartão de visitas, é a primeira impressão. Como explicar, então, a escolha de Lado Inverso? O que exatamente eu quis passar quando digitei as 11 letras, separadas por um espaço? Nem eu sei.

 Era para ser Lado Avesso. Não a marca de jeans, é claro. Há anos que eu planejava criar um blog com esse nome, para depois nomear meu livro assim também. Mas Lado Avesso não deu, o servidor não deixou. Outro usuário correu antes de mim e escolheu este título. Ponto pra ele. E eu fiquei imaginando nomes que expressariam a minha idéia. Durante duas horas, contadinhas no relógio, não encontrei nenhum. Mas mais tarde, enquanto eu procurava, enlouquecida, palavras no dicionário,  pensei em Universo. E transformando as letras, vi que este na verdade não é o meu lado avesso, é o inverso. O inverso de mim está aqui, como se a tela fosse um espelho e você estivesse do outro lado.

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