Um livro em especial chamou minha atenção nesta última semana. “Tatuagem, piercing e outras mensagens do corpo”, da jornalista Leusa Araujo, é uma obra diferente. Não porque aborda o comportamento humano, mas porque trata uma prática com mais de cinco mil anos de forma inovadora. Depois de terminar a leitura, algo me intrigou. Incomodou até. Senti motivação para pesquisar sobre a evolução da tatuagem, sobre como um mesmo ato teve seu significado tão mudado num curto espaço de tempo.
Por que a cultura ocidental ainda tem resistência à tatuagem? Mesmo que isto tenha diminuído com as novas gerações, é comum encontrarmos pouca aceitação dos mais antigos. Logo que comecei esta pesquisa, deparei-me com uma questão complicada: a guerra. Que se usasse tatuagem no Egito por motivos religiosos, eu entendo. E é compreensível que os índios de determinadas tribos marcassem uns aos outros para diferenciar os bons guerreiros. Mas quando li sobre as práticas da Segunda Guerra Mundial, senti que eu tinha que mergulhar fundo no assunto.
Dito e feito. A culpa é da guerra. Embora no Brasil normalmente não encontremos resistência tão grande, na grande parte dos países ocidentais é comum que a tatuagem seja tratada como castigo, já que na Alemanha nazista esta prática foi aplicada. Os judeus eram marcados com números, os mesmos carimbados nos bois e nos cavalos. E isto é uma ironia sem tamanho. É engraçado que hoje uma marca que representa a liberdade é justamente a mesma que há 60 anos era o símbolo da tentativa de dominação de uma cultura sobre a outra.
Um corpo tatuado é um corpo exposto. É um corpo que se arrisca, como o de um marinheiro ou de um soldado. Um corpo tatuado é um corpo marcado para sempre, apesar das técnicas de reparação que estão sendo desenvolvidas. E é inegável que um corpo tatuado seja um transmissor de mensagens ou um divulgador de idéias, com a mesma função das roupas e das maquiagens que usamos.
A verdade é que a tatuagem é uma incontestável tentativa de libertação. Todos almejam ser diferentes para a sociedade, mas iguais diante dos seus pares. Se os adeptos desta cultura tiverem consciência de que o mais importante é evoluir internamente e não só se transformar do lado de fora, a tatuagem finalmente terá a oportunidade de se consolidar como uma ação positiva.
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Camila Balotin // Abril 4, 2008 às 8:20 pm
Gabi
Muito tri esse teu texto. Ele faz pensar um montaoooo sobre essa questao de tatuagem, de marcar o corpo, e fique descobrindo coisas sobre a segunda guerra, sobre tentar passar uma cultura pelo corpo q eu nao sabia….
bjo, sua doravante nerds
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