Mal conheci o Zé e já fui apresentada para aquele bando de amigos literatos dele, para os tantos escritores que ele carregava debaixo do braço. Eram todos como um gigante e eu, uma pequena mulher. E confesso que isso me seduziu, foi legal ter alguém grande diante de mim.
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As frases do Zé eram recheadas de citações das obras de Dostoievski, Goethe, Shakespeare e às vezes até de Freud e Jung e ele não se constrangia em mostrar a sua riqueza cultural e em dizer que o que mais o interessava nas mulheres era a inteligência. Humilhante dizer isso para quem no máximo podia dissertar sobre as leituras obrigatórias do vestibular.
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Menina orgulhosa que sou, não aceitei o desprezo do Zé e mergulhei no universo das palavras. Foram anos lendo dois, três, as vezes quatro livros por semana. Sem perceber, aprofundei-me na vida dos escritores, dos tradutores, e até dos editores. E digo, até que gostei dessa brincadeira de correr atrás do conhecimento, de entrar nas livrarias pensando no Zé e sair carregada de livros, doutora das palavras.
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Precisei de tempo pra ampliar minha cultura. Tempo e paciência. Foram longas as madrugadas sem dormir, nas quais transformei os livros em cúmplices. E quando eu não estava lendo, ia ao cinema. Ou ao museu. Até que hoje, o Zé, querendo uma indicação literária, ligou para mim. Para ele, cresci. Mas agora sou tão grande que já nem preciso da companhia do Zé. Os livros me bastam.
4 respostas so far ↓
Gabriella // Abril 10, 2008 às 10:20 pm
Grande Zé! Despertou a grande sede do saber na Gabi!
Saudades, gúria !
Beijos
bruna, the best // Abril 11, 2008 às 11:34 am
por que tu teria medo de alguem que se conhece bem?
por que tu achou q eu nao ia gostar dessa bobagem? hahahah brincadeira! beijos
umapitadadesal // Abril 11, 2008 às 1:34 pm
da-lhe, gabi!
sempre pensante essa menina-mulher…
;D
beijos
Gabriella // Abril 20, 2008 às 1:46 am
Gabi , o Saque de Bola está atualizado . Beijos
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