Lado Inverso

O marxismo da melancolia

Abril 28, 2008 · Sem Comentários

 

 

Terminei de ler “O marxismo da melancolia”, obra de Leandro Konder sobre aquele que é, para mim, um dos homens mais misteriosos do século passado: Walter Benjamin.

 

Uma parte em especial do livro conta sobre a decisão final de Benjamin. O cenário é a fronteira entre a França e a Espanha e o ano é 1940. Fugindo da França ocupada, Walter apresenta-se a uma senhora para ser guiado na travessia para a Espanha. Enquanto caminham para fazer o reconhecimento das rotas mais apropriadas, a senhora o questiona sobre a importância da pasta que ele cuidadosamente carrega. Sucinto, responde: “Não posso correr o risco de perder isto. Precisa ser salvo. É mais importante do que eu”. O fim desta história é bem conhecido. Depois da longa e lenta caminhada, Benjamin foi detido em Port Bou e informado de que no dia seguinte regressaria para França. No desespero de ser enviado para um campo de concentração, ingeriu o tablete de morfina que havia recebido, no dia anterior, de Arthur Koestler. Na resposta à solicitação de Horkeimer sobre a morte do amigo, consta que nenhuma bagagem foi encontrada e que não havia circunstâncias para o suicídio. Tratava-se de “muerte natural”.

 

Nascido em 1882, em Berlim, Walter Benjamin pertencia a uma bem sucedida família judia de leiloeiros de arte. Estudou num colégio interno progressista, militou num movimento juvenil antiautoritário e deu início ao estudo de filologia, na Universidade de Freiburg. Fingindo um problema de saúde e depois partindo para a Suíça, livrou-se de pertencer ao serviço militar. Trabalhou como crítico literário, tradutor, ensaísta, filósofo e sociólogo. Participou da Escola de Frankfurt e criou teorias sobre o aparecimento e o desaparecimento da aura. Mas mesmo com incontáveis explicações de quem foi Walter Benjamin, como entender o pensamento de alguém que pôs seus manuscritos num âmbito superior à sua própria existência? Prefiro ficar com a resposta da teórica alemã Hanna Arendt: “ele foi um dos inclassificáveis (…) cuja obra não se encaixa na ordem existente, nem introduz um outro gênero”.

 

A pasta que possivelmente continha a versão inacabada do Trabalho das Passagens, jamais foi encontrada.

Categorias: Uncategorized

0 responses so far ↓

  • There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.

Deixe um comentário