Minha infância foi lotada de perguntas sobre o ciclo das coisas. Por que o mundo gira numa só direção? Quem escolheu o sentido dos ponteiros do relógio? Por que vejo sempre o mesmo lado da lua? E por que o norte fica em cima e o sul, em baixo?
Foi na infância a primeira vez. Numa madrugada qualquer, levantei da cama e rumei, na ponta dos pés, até a cozinha. Abri a geladeira e alcancei a jarra. Não era sede o meu problema. Eu precisava de novas aventuras, queria sentir o famoso frio na barriga.
Depois disso, bebi água pelo bico da jarra por incontáveis vezes. E não foi só na meninice. Cresci, aumentei de peso, de tamanho, ganhei corpo e nunca mais me livrei deste vício desgraçado. Mas o que era igual, sempre igual, era a emoção de fazer isso escondida.
Quer saber, acho mesmo que todos deveriam beber um dia pelo lado contrário. Isto é se arriscar um pouco a ser diferente. Pois cada vez que encosto meus lábios no bico da jarra, sinto que por um ou dois segundos eu consigo inverter o ciclo do mundo.
2 respostas so far ↓
Marcelo // Maio 11, 2008 às 11:57 pm
É por isso que eu costumo dormir ao contrário na cama. Fico com a cabeça onde ficariam os pés. Meu pequeno ato de transgressão noturno.
umapitadadesal // Maio 15, 2008 às 3:16 am
hahsuahsuahsuhaushasuhaushaushahsahsuahusauhsuahushas
eu não sei se to rindo mais de ti ou do marcelo…
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