Lado Inverso

Das rápidas

Junho 8, 2008 · 1 Comentário

Não entendo como alguém consegue escrever um texto a lápis. Estranho o hábito de carimbar verdades no papel aguardando para apagá-las. Palavras devem ser cravadas, ditas para a eternidade.

Não gosto de pessoas em cima do muro, de quem fala “tanto faz”. É preciso ter opinião, dizer com força, afirmar até o fim – mesmo que se esteja errado.

Abdiquei do lápis aos doze anos. Junto à tinta vieram as certezas e a responsabilidade de falar para sempre. Às vezes encontro algum lápis perdido nas gavetas e até brinco de usá-lo. Porque temer o inimigo é pior.

Não simpatizo com o hábito de depender do apontador para expressar as idéias. Tenho um amigo que se esmera tanto apontando o lápis que esquece o que vai escrever. Sinceramente, prefiro palavras tortas, rasuradas, mas espontâneas.

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